quinta-feira, 28 de maio de 2009

(Fascículo 1)



Estará para breve o recontar de uma




Nova História das

Grandes

Viagens Marítimas?


CAP I – Uma Mão cheia de dúvidas

Aquando da feitura do livro «Nas Rotas dos Bacalhaus», fui-me defrontando com várias duvidas (que vinham de há muito tomando consistência e forma) para as quais nunca encontrei resposta satisfatória, mesmo que na tentativa de as esclarecer tenha explorado o saber e opiniões contraditórias de historiadores (Portugueses e Estrangeiros) que ao longo do tempo têm tentado resolver as perplexidades que foram surgindo á medida que se foi sabendo muito mais sobre as grandes viagens marítimas do passado.

O problema central pode resumir-se

a) Teriam sido levadas a cabo navegações distantes antes de Portugueses e Espanhóis se terem lançado na aventura de alterar o mapa económico (e geopolítico) do mundo da Idade Média?
b) Foi Colombo, de facto, o primeiro navegador a descobrir o «Novo Mundo»?
c) A «Teoria do Segredo» -que teve e tem adeptos e contraditores - tem sentido? E será que uma das suas expressões mais relevantes foi razão para o estranho desconhecimento das navegações e explorações do Atlântico Norte?

Mantenho-me por isso atento a tudo o que, cá dentro e lá por fora, se vai descortinando, pois que hoje há um incomensurável número de conhecimentos científicos que podem, ou não, comprovar o que até aqui eram apenas indícios. E pode dizer-se, sem temor de errar, que há muito para explorar, decifrar e confirmar, mas que talvez seja possível desde já dizer-se que a história não nos foi exactamente contada, como de facto aconteceu.

A historiografia dos Descobrimentos e expansão imperial portuguesa foi claramente tratada com alguma falta de rigor, e quase sempre, justificando-as por uma razão: a de ter sido para os portugueses o acontecimento complexo que P. António Vieira classificou «como a maior das obras de Deus depois da criação». Camões antes, e Fernando Pessoa ,depois ,encarregaram-se de traduzir em forma poética o feito. Pelo meio destes vates, muitos se lhe juntaram pese embora sem a expressão e a grandeza poética daqueles. E como o feito nos deu (e dá) dimensão histórica que o País não tem como dimensão territorial ,agarrámo-nos com fervor a contar a história ainda que nem sempre de um modo isento, esclarecido. Certo é, que a visão épica das navegações (e conquistas) foi passando de geração em geração, e sobrepôs-se a todos os outros sentimentos patrióticos, igualando-a aos fabulosos trabalhos de Hércules. Pareceu entendermos que era bom aceitar os feitos, mais como uma missão espiritual, do que a de um simples fim mercantilista.

Do Visconde de Santarém, passando pela polémica entre Joaquim Bensaúde e Duarte Leite (acerca do plano das índias), e a deste com Álvaro Pimpão (sobre a Crónica da Guiné), rematando em Jaime Cortesão com a sua «Teoria do Segredo»,tese que o referido A. Pimpão, entre outros, contestou, certo é que muito ficou para dilucidar.



O Mapa de Heródoto«o Pai da História-484 aC


Recordo que meu Pai ,formado em História na Universidade de Coimbra na época da disussão em torno das figuras atrás referidas, sempre me orientou (explicando-me)que a teoria do segredo era muito mais do que aquilo que Jaime Cortesão pretendia ter sido.


Mantem-se aceso nos meios académicos o mistério que envolve a origem de Colombo. E nem as novas tecnologias trazendo o apport do ADN, conseguiram, até hoje, esclarecer a nacionalidade do navegador. Ora as tentativas rodeadas de tanto aparato, envoltas em garantias científicas do que se apregoavam infalibilidade, levava a fundadas esperanças da decifração do enigma. Sucedeu que os resultados obtidos baralharam tudo de novo ; e agora acrescentando um novo enigma, pois nem sequer se sabe, ao certo, onde param os restos mortais do grande Almirante.A confusão voltou de novo a instalar-se. Mas mais ainda: até permitiu fantasias, recentes, que o dão como português de gema,de ascendência fidalga[1], que se propõe vê-lo como um espião ao serviço de D.João II, um verdadeiro agente tipo CIA ou KGB, que pouco mais teria feito que endrominar os reis espanhóis mantendo-os distraídos, enquanto paulatinamente (?!) Portugal ia avançando, dobrado o Cabo, em procura do melhor meio de chegar à Índia, no caminho por oriente. Aquele em que os estrategas conselheiros do rei português apostaram, como sendo o melhor. Provavelmente, como hoje é admissível pensar-se, por dele terem muito mais, e mais precisos, conhecimentos.


Porque hoje é já possível perceber-se mais detalhadamente o que se sabia, ou o que faltava saber:Que em meados do séc. XV, por razões nem todas concordantes, mas cuja finalidade indiscutível assentava no controlo das rotas das caravanas subsarianas, a decisão da conquista de Ceuta e outras praças marroquinas, no norte de África, depressa se mostrou desinteressante e ou até ruinosa. Ao ter conduzido a uma situação totalmente inversa ao que se delineara , o desaparecimento /encerramento das mesmas que a posse de Ceuta originou , levou o Infante a gizar um plano muito mais vasto e grandioso :- o de controlar o comércio do ouro e marfim para isso dominando a costa africana. Para financiar tal plano, o Infante teve de lhe dar(ou associar) uma intenção missionária: - a da divulgação da fé, pois só desse modo lhe era possível canalizar para os cofres da «sua» Ordem de Cristo, os imensos cabedais provindos de Roma e de outras reinos fervorosamente cristãos– paradoxalmente até de Espanha - para alimentar as pelo menos 15 expedições que enviou para além do Cabo Não.


CARTOGRAFIA PRÉ-MEDIEVAL


Ptolomeu (Claudio),nascido no ano 100 da era de Cristo, que teria passado o maior tempo da sua vida em Alexandria, foi o maior astrónomo do seu tempo. Provavelmente nunca traçou um mapa ,mas ficou famoso por ter idealizado um sistema de projecção cónica onde as linhas longitudinais se cruzavam com o equador segundo ângulos diferentes, convergindo para um ponto algures :-o Pólo Norte. Os seus mapas que se admitem terem sido reunidos a partir das informações colhidas de Marino de Tiro, estendem-se desde a latitude 67 º N até a 16ºS. Marino de Tiro calculara que a distância entre as ilhas Canárias e a China seria de 230º.Ptolomeu corrigiu para 180º.E legou uma ideia da distribuição das massas continentais e do modo como pensava elas estariam rodeadas pelos oceanos que durou milhae meio de anos ,intocável.. A obra de Ptolomeu (séc II dC) foi tão grandiosa (onde se inclui o Almagesto) que passados 1500 anos ainda o conceito Ptolomaico dominava o pensamento dos estudiosos árabes para cuja língua tinham sido traduzidos os seus Elementos de Astronomia de Al – Farghani ..A sua Geografia surgiu em consequência dos seus conhecimentos astronómicos. Ptolomeu no seu atlas (recuperado Séc XV) situava os limites principais nos 63º de latitude norte, como referimos.

Mas não deixava de sugerir uma ideia da eventual existência de mundos escandinavos, representando a célebre ilha de Thule. A oeste os limites eram as ilhas afortunadas ,que muito deram que falar séculos mais tarde. Embora Heródoto e Eratóstenes afirmassem que a África era circum-navegável ,Ptolomeu circunscreveu o Indico ,fechando-o.




A visão Ptolomaica do mundo, num arranjo sobre um globo[2



Eratóstenes(c276-194 aC) calculou o circunferência da Terra para isso usando um método expedito.


Eratóstenes:calculo circunferência Terrestre

E determinou–a com uma aproximação de 2,5% (25.000 milhas-240.000 estádios).Contudo Possidónio fez novos cálculos e determinou 180.000 estádios, número que foi aceite por Ptolomeu. Este erro, mais tarde, esteve na base da suposição por Colombo de que a distância entre a Europa e o Japão era, de facto inferior á real. adiante.




Visão do Mundo de Eratóstenes[3]



[1] »O Português Cristovão Colombo agente secreto de D.João II»-Miguel Barreto ed Referendo e ou«O Mistério de Cristovão Colombo revelado«-Manuel Silva Rosa e ERic Stele ed Esquilo
[2] Curioso é eu o mapa representava Thule( ou Thile),sabia da existência do mar Báltico,da península Dinamarquesa ,do Cáspio e indica a Taprobana no Oceano Indico
[3] Nesta visão o Indico é aberto ,e mantém a ideia da Taprobana









(cont)

2 comentários:

  1. Em fase de experiências, não seria melhor averiguar o motivo por que não abrem três, das cinco imagens? Melhorou bastante o aspecto formal, relativamente à edição da tarde.
    Raridades cartográficas precisavam de ser observadas com mais pormenor...

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