terça-feira, 30 de junho de 2009

(Fascículo 9)

Cap. 4 – Os Novos elementos aportados

Começa recentemente a ser divulgada toda uma parte importante da história da China com a abertura recente deste País à era da globalização ,permitindo a consulta a documentação existente nas suas Bibliotecas e Palácios Imperiais, por parte de especialistas e ainda permitindo verificações arqueológicas que têm posto a descoberto segredos inesperados.
Sabe-se hoje,generalizadamente a importância do Zhu Di ,Imperador da época Ming,

Imperador Zhun DI


que tomou o poder aliando-se, para isso aos eunucos da corte, verdadeiros guardas imperiais ,olhos e ouvidos do grande senhor, existindo em grande número, e sobre quem recaía (por serem castrados) a grande missão de guardar os milhares de concubinas do imperador. Ora de entre estes, um de nome Maeh (depois mudado para Zheng He) foi parar ao palácio impeial .Zheng era um mulçumano convicto. Era um homem com figura imponente(mais de dois metros) ,um soldado extraordinário ,rapidamente reconhecido como o «Grande Eunuco». Apesar de nunca ter visto o mar,Zheng foi nomeado comandante de toda a frota, uma armada cujas dimensões (em embarcações e homens) são hoje inimagináveis. O imperador Zhu Di – a quem se deve a reconstrução da Grande Muralha - pretendeu criar um império(os seus anteriores, e até depois os seus sucessores - admitiam que a China era tão grande que não era necessário procurar nada para lá do seus limites geográficos) e para tal desígnio determinou construir uma armada. Criou um estaleiro próprio (em Lonjiang) onde se construíram portentosos juncos de nove mastros, (com mais de 130 metros de comprimento!) e muitas outras embarcações (250 navios do tesouro e mais 3500 de diverso tipo, dos quais 400 cargueiros para transporte de cereal ,água e cavalos) destinadas a cumprir o seu grande objectivo. Nunca a China atingiu dimensão maior e projecção tal no mundo oriental ,como as que foram mostradas aquando da inauguração da Cidade Proibida(Pequim) com o seu Palácio Imperial.


Aos seus navios, determinou
navegar por todos os mares do mundo e deles elaborar os respectivos mapas”.
Pretendia o Imperador submeter todas as nações ao tributo chinês. E para isso começou a enviar os seus navios aos países vizinhos no sentido de controlar a rota da seda que percorria toda a Ásia central.
Zhu Di reuniu os astrónomos e encarregou-os de estudarem a orientação pelas estrelas (registaram mais de 1400), chegando ao ponto de determinarem eclipses(solares e lunares) com grande rigôr. Insistindo em «comparar e corrigir o desenho das estrelas guias», mandou «noticia» a obter para tal trabalho o contributo dos reis de países vizinhos. Internamente foi Di que mudou a capital de Nanquim para Pequim, como se refere acima. Para alimentar a população deslocada mandou alargar o grande canal de modo a criar uma rede de transportes para norte ,obra das mais célebres e maravilhosas do mundo antigo, que vai de Pequim até Tangou , na costa ,perto de Xangai e por onde circulavam mais de três mil barcas de fundo chato. Foi no seu reinado que se imprimiram centenas de livros citando os grandes filósofos ,isto portanto dezenas de anos anteriormente a Guntenberg ter editado a sua Bíblia na Europa. Tendo convidado chefes estrangeiros para visitar a Cidade Proibida ,eram estes recebidos faustosamente, deliciados com vitualhas deliciosas ,ao tempo em que milhares de concubinas especializadas lhes proporcionavam prazeres celestiais. Se quisermos ter uma ideia do fausto progrmado para a inauguração da cidade proibida, ficamos a saber que para tal acto foram convidados cerca de trinta mil embaixadores e altos dignitários dos países vizinhos. Ao tempo no casamento de Henrique V(com Catarina) apenas estiveram presentes seiscentos convivas.
Os grandes senhores foram, findas as inaugurações, levados aos seus países por cinco armadas (do Tesouro) comandadas por Zheng He que antes da partida mandou gravar pedras comemorativas. Durante as grandes viagens (provavelmente seis ou sete ) em vários locais foram deixadas pedras semelhantes ,como adiante referiremos. Zengh tinha ordens expressas para acompanhar as esquadras até ai Indico e depois voltar para trás,para a China, onde a sua presença era indispensável .Todos os comandantes das esquadras tinham a particularidade de serem eunucos.



Têm sido muitos os autores ,investigadores ,arqueólogos que vêm seguindo, e trazendo achegas, para esta nova visão do problema .Recentemente Gavin Menzies,um comandante de submarinos da Royal Navy, extraordinário e experimentado navegador, escreveu um livro polémico e até algo provocatório: 1421: The Year China Discovered the World, já traduzido e editado em Portugal .


É em todas as circunstâncias um livro que deve ser lido. Apaixonante . Estamos em presença de um extraordinário homem do mar, que dedicou anos da sua vida percorrendo todos os pontos possíveis por onde as Armadas do Tesouro poderiam ter passado. Tentando procurar vestígios da sua presença. No livro prova muitas coisas; mas deixa outras envoltas em polémica e outras em stand by, aguardando argumentação científica (ADN ,testes de carbono etc.),para retirar dúvidas. Mas merece ser lido e objecto de reflexão e estudo.Está já acriar enorme discussão, o que é o mais importante.

Por todo o lado vão-se recolhendo novos elementos, novos indícios.
Se essas viagens forem confirmadas muitas interrogações encontrarão resposta.
Em todas as circunstâncias ,a tal suceder, em nada fica beliscado o grande capítulo da história mundial escrito pelos portugueses.
É ainda contudo cedo para se avaliar a questão.
Num próximo trabalho abordaremos as embarcações que permitiram as grandes viagens marítimas. Tentaremos sistematizar num pequeno trabalho as diferenças e a evolução que permitiu o apuramento das qualidades náuticas comas que permitiram superar os mares distantes dos fins do mundo.

Senos da Fonseca, Junho 2009

Cont : Este Blog terá continuidade com um novo »As embarcações das grandes ViagensMaritima »


BIBLIOGRAFIA E IMAGENS

Imagens:
-Histortical Maritime Maps –Donal Gavin ed Parkstone Press
-História das Viagens Maritimas _Donal Jonhson e Jucha NurKimen,ed Sete Mares
-História dos Descobrimentos –Jaime Cortesão Ed Arcádia
-Mapsoramas Map
-Explore Historye-Maps
-Historia National geographic
-La aventura de La História
-História Y Vida
-A Caminho da India –Bjorn Landstrom
-Historical Atlas of The Vickings
Atlas de Cristoph Colomb

Escrita

Jaime Cortesão –História dos Descobrimentos
Armando Cortesão- The Nautical Chart of 1424
Johnson ,Donald – História das Viagens Marítimas
Wigal,Donald-Historic Maritime Maps
Peres ,Damião – História dos Descobrimentos Portugueses
Monteiro ,Vaz –O propositado encurtamento do Atlântico nas Cartas Portuguesas do Séc XVI.-Coimbra
Menzies ,Gavim -1421cThe Year China Discovered the World
Brochado Costa -«O Piloto Árabe de Vasco da Gama»
Bjorn Landstrom -«A Caminho da índia»

sexta-feira, 26 de junho de 2009


(Fascículo 8)



Da Conti descreveu os barcos da armada do Tesouro, como embarcações com cerca de 2000 ton, com cinco velas e muitos mastros (…) tendo três camadas de madeirame no casco, e por isso resistentes a qualquer tempestade (…) e ainda compartimentos separados (anteparas estanques).



Barcos da Armada do Tesouro.

Admite-se, pois, agora, que o homem de Catay descrito ao Papa Eugénio VI (1431 -1477), por Toscanelli, e referenciado na carta deste a Colombo, seria este Da Conti.Que entretanto voltaria à China por encomenda (isto é ao serviço) do referido Papa.
E até hoje se especula que D.Pedro pretendendo antes de regressar a Portugal ouvir o próprio Da Nicola, o mandou buscar ao Cairo propositadamente.
Assim (segundo esta tese) os mapas teriam sido recolhidos por Mauro, de Da Conti, e depois enviados ao rei Português, via D. Pedro.
Se tal for provado, este parece ser, afinal, o grande segredo que Portugal escondeu das restantes potências estrangeiras.


Aqui coloca-se outra grande interrogação. Este mapa ciosamente guardado teria sido visto (ou copiado), mesmo que o copista soubesse correr o risco de pena de morte? Haveria alguém disposto a correr esse risco, alguém especialmente interessado nele? Esse alguém só poderia ter sido Bartolomeu Colombo, irmão do almirante, cartógrafo de méritos reconhecidos, em Lisboa, que pelo exercício do mister ,ao mapa tenha tido acesso, depositando-o, depois, nas mãos de seu irmão, Cristóvão Colombo(?!)

Certo é que o mapa de 1428 se dizia perdido.Hoje pretende-se uma nova interptretação. O grande Almirante turco, Piri Reis, têlo-à recolhido de um espanhol, tripulante de Colombo e tê-lo-ia integrado em um dos seus célebres trabalhos cartográficos. Ao que se admite esse mapa mostra toda a costa sul do continente americano, incluindo o estreito que se viria a chamar de Magalhães, e encontra-se ,hoje depositado no Museu Serai, em Istambul.




Mapa Piri Reis

O aparecimento deste mapa que tão minuciosamente descreve toda a costa sul do continente americano, levanta a questão de saber-se quando teriam sido recolhidas as informações nele contidas.Em que viagem e de quem? Se Colombo tinha dele cópia, teria de ser anterior a 1492. Seria de facto parte do célebre mapa (carta náutica)de 1428,descrito ao mundo por Armando Cortesão?
Se o fosse (como hoje alguns o admitem) então será bem certo que não teriam sido os Europeus quem primeiramente teriam pisado o continente americano. E,mais;- Bartolomeu Dias (e muito particularmente, D João II, saberiam da existência do Cabo. E ainda:- Fernão Magalhães, saberia, antecipadamente do estreito que tomou o seu nome, pois, a ser provada a datação do mapa que depois foi transcrito por Piri Reis, a passagem já era conhecida .

O relato de Gabriel Pigafeta ,hoje começa a ser olhado e interpretado de modo bem diferente.
A historiografia dos Descobrimentos em Portugal foi pobre,naturalmente com honrosas excepções. Hoje parece n ão restar mais do que acompanhar as novas descobertas, que utilizam meios e processos tecológicos só ao alcance de alguns ,poucos ,países.

Voltamos a ter em cima da mesa uma questão nacionalista, fechando os olhos a realidades que explicam o que nunca conseguimos explicar?
A confirmar-se, estas novas teorias obrigariam ,inevitavelmente a repensar, de novo, a história da grande aventura marítima portuguesa, que em todas as circunstâncias não há que diminuir, mas sim exaltar. O que se sabia, ou não, era tão pouco e tão incerto, que não têm grande significado ,estas novas achegas.
SF
(cont.)

domingo, 21 de junho de 2009


(Fascículo 7)


Cap. 3-O Mapa de Piri Reis

Estas viagens (?) ao continente americano, que a acontecerem foram no mínimo intrigantes, aparecem documentadas no mapa hoje conhecido por mapa de Piri Reis, navegador e cosmógrafo turco. Tudo começou quando o historiador (e navegador) português, um tal António Galvão, em meados de quinhentos ter referido um mapa mundi que o Infante D.Pedro teria trazido das suas viagens a Veneza, em 1428. Ora a verdade é que, de facto, o infante D.Pedro, uma figura de extrema importância na história de Portugal, irmão de Henrique, foi um grande viajante na época medieval, tendo viajado durante 12 anos por toda a Europa (Inglaterra, França, Alemanha e Terra Santa), e daqui regressado a Itália, via Roma e Veneza. Nesta cidade, centro da cartografia europeia da época, D. Pedro teria adquirido um Mapa Mundi (e o livro de Marco POLO), mapa que continha descrito todas as «partes do universo»(?!) como refere Galvão. Que refere ainda, para que não haja duvida, que tal mapa estaria depositado no Mosteiro de Alcobaça, e que por ele “parecia que nos tempos antigos se tinha descoberto tanto ou muito mais do que está agora”[1].Este Galvão (Séc.XVI)tem intrigado muitos dos grandes historiadores peninsulares. Uns crêem nas suas afirmações, outros colocam sérias dúvidas. Ora os que duvidam parecem apenas fazê-lo por uma questão de conveniência para demonstrar as sua teses mais coerentes com a correnteza geral que exalta a supremacia peninsular(portuguesa e catalã) no acto das descobertas.
Facto é que Fra Mauro, cartógrafo de Veneza, teria entregue exactamente a D. Pedro (para quem se diz, trabalhava) um mapa (de que existe uma cópia hoje na posse da Biblioteca Veneziana) onde estava desenhado o cabo da Boa Esperança.E onde anotava que em 1420 um junco vindo da Índia (…) ultrapassou o Cap. Diabo, continuando até á Ilha de Cabo – Verde.

O Mapa de Fra Mauro(desenhado)

Inclusive, no referido mapa, junto do extremo sul-africano, no Cabo, aparecia a silhueta de uma embarcação, que se identificava perfeitamente com um junco chinês.

Intrigante foi o saber como teria o «conhecimento de tal cabo e a informação das costas africanos», chegado a F.Mauro (?!).




Comparação entreo Mapa de Fra Mauro(esq.) e o Kangnido(dir)

Muitos historiadores (quase todos) chegaram a afirmar quão importante teria sido o facto de D Pedro ter trazido para Portugal o livro de Marco Polo, e ter sido este,o livro que teria aberto luzes para se conhecer uma indicação aproximada da posição das Índias. Ora hoje, à luz do que se sabe, o importante do que D Pedro trouxe para a corte, terá sido o Mapa que Fra Mauro enviou ao Rei (via con Roriz), determinante para o arranque de preparação da descoberta (pelos portugueses) do caminho marítimo para a Índia por Ocidente (dobrando o Cabo).

Este mapa(a carta náutica de 1424) que teria sido encomendado e que desapareceu, admite-se ter sido executado baseando-se em conhecimentos portugueses sobre a existência (?!) de umas ilhas no Atlântico.
Ora, agora parece que os factos que compõem a História podem ter outra leitura.

Generaliza-se o consenso que quem forneceu a Fra Mauro as indicações para o desenho do mapa, terá sido um tal Nicolò Da Conti (1395-1469),veneziano que após os Polo voltou á China em viagem por mar ,tendo visitado e relatado[2] hábitos ,costumes, e a geografia da região. Tendo assinalado com extremo rigor os locais por onde teria passado a Armada do Tesouro de Zheng He. De facto Nicolò terá contactado com os escribas Ma Huan[3] (1433) e Fei Xin (1436) que acompanharam o grande Almirante com o fim de registar os acontecimentos notáveis da viagem. Isso é indiscutível.

Ilustração de Barco da Armarda


[1] Galvão ,in Tratado dos Diversos e Desvayrados Caminhos ,Lisboa 1563
[2] Relatos absolutamente coincidentes com o que um dos maiores escribas chineses terá feito ,no mesmo período, e nos mesmos locais.
[3] Ma Huan escreveu «Asvista geral das praias do Oceano » em 1433

(cont)

terça-feira, 16 de junho de 2009

(fascículo nº6)


CAP II- Especulações ou Indícios fortes

Pesquisas recentes levaram a que se encontrasse uma carta sino-coreana, conhecida por mapa de KANGNIDO - Honil kangni yoktae kuktu chi to (Mapa das regiões e das capitais dos estados integrados ao longo do tempo) que combina o conteúdo do Shengjiao guangbei tu (Mapa do vasto alcance dos ensinamentos [morais da China]), mapa-mundo produzido pelo cartógrafo chinês Li Zemin c. 1330, entretanto perdido, e do Hunyi jiangli tu (Mapa das regiões integradas [da China]), peça cartográfica dos finais do século XIV, da autoria de Qing Jun.[1]





KANGNIDO MAP

Esta carta, oferta do embaixador da Coreia ao Imperador ZHU DI, data de 1403, e terá, possivelmente, sido alterada e actualizada, em 1424. Trata-se de um mapa de grandes dimensões (1,7m/1,6 m), pintado sobre seda, no qual se permitia “conhecer o mundo sem sair de casa”. Contém referências à Europa (nele a Alemanha é referida por Alemanha; a Espanha é apresentada com o estreito de Gibraltar, a sul, e nele se inclui o Norte de África). Mas desde logo o que este mapa tem de espantoso é que nele se pode ver representada toda a costa ocidental de África (com grande rigor se comparada com o que é hoje hoje[2]), incluindo (espantosamente) o Cabo aonde os Portugueses só iriam chegar, cerca de 60 anos depois.
Foi uma cópia deste Mapa e quadros representando a Armada do Tesouro que o meu amigo Cheng me mostrou no Museu Nacional, num dia dedicado a conhecer a história do «seu mundo»-incluindo a grande marcha – mas com que pretendia provar-me que eles –os Chineses - tinham sido grandes navegadores: - tanto ou mais do que nós. Claro que com isso e muito do que observei depois -frotas de juncos, incontáveis, navios cruzando-se a velocidades loucas em Hong-Kong, juncos(pequenos) sem mastro movimentando-se a velocidades inacreditáveis, em Singapura, impulsionados por uma longas varas motoras, num trânsito marítimo caótico, onde a toda a hora se esperava o pior; tudo isto me criou expectativa (espanto!) que só um bom par de anos, mais tarde, se começou a explicar quando diversas publicações (revista de história e livros)fizeram chegar até mim confirmação dos factos que me pareceram ousados demais para serem verdadeiros. A abertura da China ao Mundo deixou que a curiosidade dos estudiosos fosse satisfeita com a permissão de consulta aos manuscritos encerrados nos seus museus.



(1) (2) (3)

Comparação entre o Mapa de Kangnido (1e2) e a realidade (3)

Este mapa, veio então confirmar a verdade sobre as viagens dos Navios do Tesouro, que sob o comando do grande Almirante Zheng He, tinham, em 1420,saído da China, e viajado até à Índia (Malaca), e depois à costa leste de África. Malaca restou colónia chinesa, funcionando como entreposto avançado da China. Tais viagens teriam começado em 1405, e registam-se pelo menos seis –há quem refira uma sétima…)
Zheng He

[1] REVISTA BIBLIOGRÁFICA DE GEOGRAFÍA Y CIENCIAS SOCIALES (Série documental de Geo Crítica) Universidade de Barcelona
[2] Uma das acusações sobre a fidelidade deste mapa ,é precisamente o rigor da representação de África quando comparada com o mundo próximo da China.
Mapa das Viagens

Ordem /Data/ Regiões alcançadas



1ª Viagem 1405-1407 Champa, Java, Palembang, Malacca, Aru,

Sumatra, Lambri, Ceylon, Kollam,Cochin,

Calicut


2ª Viagem 1407-1409 Champa, Java, Siam, Cochin, Ceylon


3ª Viagem 1409-1411 Champa, Java, Malacca, Sumatra,

Ceylon,Quilon,Cochin, Calicut,Siam, Lambri,

Kaya, Coimbatore


4ª Viagem 1413-1415 Champa, Java, Palembang,

Malacca,Sumatra,Ceylon, Cochin,

Calicut, Kayal, Pahang,

Kelantan, Aru, Lambri,

Hormuz,Maldives,


Mogadishu,Brawa,Malindi Aden,

Muscat, Dhufar


5ªViagem 1416-1419 Champa, Pahang,Java,Malacca,

Sumatra,

Lambri, Ceylon, Sharwayn, Cochin,

Calicut,

Hormuz, Maldives, Mogadishu, Brawa,

Malindi,Aden

6ª Viagem 1421-1422 Hormuz, East Africa, countries of the

Arabian Peninsula

7ª Viagem 1430-1433 Champa, Java, Palembang, Malacca,

Sumatra, Ceylon, Calicut,

Hormuz...(17 regiões no total)

avançando sempre no desconhecido como que obedecendo a uma planificação que visaria conhecer e cartografar todo o mundo de modo a estender tributação ao Imperador da China, um país cuja dimensão o fazia apostar num domínio mundial (de que se não conheciam, exactamente, os limites). A grande aventura teria sido entregue ao grande Eunuco, Almirante Zheng-He que, dizia-se, «estaria sobre protecção divina». Na última dessas viagens (alvitra-se a hipótese pois há sérios indícios que a justificam), o Almirante Zheng, cuja presença era indispensável no seu País, decidiu dividir a sua enorme armada, em três: a do grande eunuco Hongo Bao, a armada do eunuco Zhou Man, e, ainda, a armada do eunuco Zhou Wen. Zen voltou á China em 1421,mandando dirigir os seus capitães para a costa oriental de África.
Entra-se agora numa matéria muito fluida, vivendo de alguma especulação, e o mais que se pode dizer é que há diversos cientista com meios imensos colocados á sua disposição para confirmar os indícios que parecem provar que a grande Armada navegou no Atlântico. Meios que nenhum historiador do Século XX teve ao dispor, para através das novas técnicas confirmar a datação dos vestígios que vão sendo encontrados, quase por todo o «novo mundo».E pasme-se, até, em Cabo- Verde foram encontrados vestígios(hipotéticos) da presença da Armada, segundo alguns historiadores.

Medalha chinesa (com mensagem do Imperador encontrada numa ilha da costa americana)


Não há nada como ir sabendo e acompanhando a evolução de matéria tão interessante e empolgante. Comparando, reflectindo ,recolhendo novas informações.
Persistem hoje ainda algumas duvidas (a precisar de confirmação cientifica) sobre o saber-se se as armadas dobraram o Cabo extremo, sul, de África (como assombrosamente se pretende provar) subindo até Cabo-Verde para aí se deterem, e se abasteceram, dividindo-se depois: admite-se que uma das armadas, a de Zoo Wen, rumou para a América Central e depois para Groenlândia, contornando-a pelo norte (naquela data, sabe-se hoje, a Groenlândia era mais quente e por isso navegável pelo norte). Aliás Colombo confirmou-o, na informação citada acima. Colombo falou verdade, quando disse ter navegado no norte da Groenlândia. É o que agora se pretende provar por novos conhecimentos científicos que trouxeram um novo apport sobre condições atmosféricas da idade média, nos mares do Norte.
As outras armadas, as de Hong Bao e Zhou Yang King, essas, desceram a costa do que é hoje o Brasil, baixaram à Patagónia, e aí dividiram-se: Zhou Man seguiu para a Austrália, por sul, e Hong Bao passou no estreito mais tarde chamado de Magalhães, subiu a Costa oeste da América de Sul rumando depois de volta à China.
Se tal se provar a história das grandes navegações mudou completamente.
Mas atenção:
Se a primeiras viagens de Zheng já não oferecem qualquer dúvida sobre a sua visita e conhecimento da Índia e da costa oriental africana, a entrada e a viagem no Atlântico, ainda tem foros de especulação. E isto é muito importante ,pois induz aperceber que os portugueses sabiamno Séc XV, já, da existência do Cabo (embora não exactamente da sua real posição)e que dobrado o mesmo fácil era chegar ás Índias.
Mais um pequeno exemplo: agora percebe-se porque Vasco da Gama ficou intrigado quando chegado á Índia conduzido pelo piloto árabe Ahmad Ibn-Madjid, notou a pouca importância dada á sua Armada. Pois pudera (?!).Que armada era aquela comparada com a armada de Zen,que seria composta por cerca de 800 navios de porte que pareciam fazer das caravelas e naus do Almirante Português, pequenos batéis? Só agora, então, se compreende o espanto contido –e registado - da veracidade daquele apontamento da viagem da descoberta(?) do caminho marítimo para a Índia.



O junco da Zheng (comparação com a Nau de Vasco da Gama)
Falta pouco tempo para se obter a confirmação, quando se obtiverem toda uma série de dados (ADN, testes de carbono etc.) a decorrerem em vários ponto do mundo, para sabermos se há ou não necessidade de se começar de novo a interpretar a história das grandes navegações.
Isso não impede que se alinhem (desde já) as referências principais que levam a justificar uma nova abordagem, e esperar pela confirmação. O que já é conhecido ultrapassou a mera especulação. A abertura da China ao mundo trouxe o conhecimento de coisas inimagináveis, E se a Armada de Zheng e o seu navegar pelo Indico já não levantam quaisquer dúvidas, resta apenas saber se a China chegou, ou não, ao novo mundo (a Sul, centro e ao Norte). Procuremos dar a conhecer os aspectos principais, resumindo (pelo espaço que dispomos) os factos que indiciam, tal ter acontecido.



Junco da Armada de Zheng (ilustração de selo comemorativo)

avançando sempre no desconhecido como que obedecendo a uma planificação que visaria conhecer e cartografar todo o mundo de modo a estender tributação ao Imperador da China, um país cuja dimensão o fazia apostar num domínio mundial (de que se não conheciam, exactamente, os limites). A grande aventura teria sido entregue ao grande Eunuco, Almirante Zheng-He que, dizia-se, «estaria sobre protecção divina». Na última dessas viagens (alvitra-se a hipótese pois há sérios indícios que a justificam), o Almirante Zheng, cuja presença era indispensável no seu País, decidiu dividir a sua enorme armada, em três: a do grande eunuco Hongo Bao, a armada do eunuco Zhou Man, e, ainda, a armada do eunuco Zhou Wen. Zen voltou á China em 1421,mandando dirigir os seus capitães para a costa oriental de África.
Entra-se agora numa matéria muito fluida, vivendo de alguma especulação, e o mais que se pode dizer é que há diversos cientista com meios imensos colocados á sua disposição para confirmar os indícios que parecem provar que a grande Armada navegou no Atlântico. Meios que nenhum historiador do Século XX teve ao dispor, para através das novas técnicas confirmar a datação dos vestígios que vão sendo encontrados, quase por todo o «novo mundo».E pasme-se, até, em Cabo- Verde foram encontrados vestígios(hipotéticos) da presença da Armada, segundo alguns historiadores.
Não há nada como ir sabendo e acompanhando a evolução de matéria tão interessante e empolgante. Comparando, reflectindo ,recolhendo novas informações.
Persistem hoje ainda algumas duvidas (a precisar de confirmação cientifica) sobre o saber-se se as armadas dobraram o Cabo extremo, sul, de África (como assombrosamente se pretende provar) subindo até Cabo-Verde para aí se deterem, e se abasteceram, dividindo-se depois: admite-se que uma das armadas, a de Zoo Wen, rumou para a América Central e depois para Groenlândia, contornando-a pelo norte (naquela data, sabe-se hoje, a Groenlândia era mais quente e por isso navegável pelo norte). Aliás Colombo confirmou-o, na informação citada acima. Colombo falou verdade, quando disse ter navegado no norte da Groenlândia. É o que agora se pretende provar por novos conhecimentos científicos que trouxeram um novo apport sobre condições atmosféricas da idade média, nos mares do Norte.
Medalha chinesa (com mensagem do Imperador encontrada numa ilha da costa americana)
As outras armadas, as de Hong Bao e Zhou Yang King, essas, desceram a costa do que é hoje o Brasil, baixaram à Patagónia, e aí dividiram-se: Zhou Man seguiu para a Austrália, por sul, e Hong Bao passou no estreito mais tarde chamado de Magalhães, subiu a Costa oeste da América de Sul rumando depois de volta à China.
Se tal se provar a história das grandes navegações mudou completamente.
Mas atenção:
Se a primeiras viagens de Zheng já não oferecem qualquer dúvida sobre a sua visita e conhecimento da Índia e da costa oriental africana, a entrada e a viagem no Atlântico, ainda tem foros de especulação. E isto é muito importante ,pois induz aperceber que os portugueses sabiamno Séc XV, já, da existência do Cabo (embora não exactamente da sua real posição)e que dobrado o mesmo fácil era chegar ás Índias.
Mais um pequeno exemplo: agora percebe-se porque Vasco da Gama ficou intrigado quando chegado á Índia conduzido pelo piloto árabe Ahmad Ibn-Madjid, notou a pouca importância dada á sua Armada. Pois pudera (?!).Que armada era aquela comparada com a armada de Zen,que seria composta por cerca de 800 navios de porte que pareciam fazer das caravelas e naus do Almirante Português, pequenos batéis? Só agora, então, se compreende o espanto contido –e registado - da veracidade daquele apontamento da viagem da descoberta(?) do caminho marítimo para a Índia.
Falta pouco tempo para se obter a confirmação, quando se obtiverem toda uma série de dados (ADN, testes de carbono etc.) a decorrerem em vários ponto do mundo, para sabermos se há ou não necessidade de se começar de novo a interpretar a história das grandes navegações.
Isso não impede que se alinhem (desde já) as referências principais que levam a justificar uma nova abordagem, e esperar pela confirmação. O que já é conhecido ultrapassou a mera especulação. A abertura da China ao mundo trouxe o conhecimento de coisas inimagináveis, E se a Armada de Zheng e o seu navegar pelo Indico já não levantam quaisquer dúvidas, resta apenas saber se a China chegou, ou não, ao novo mundo (a Sul, centro e ao Norte). Procuremos dar a conhecer os aspectos principais, resumindo (pelo espaço que dispomos) os factos que indiciam, tal ter acontecido.


(cont)













domingo, 14 de junho de 2009



(Fascículo nº 5

A tal acontecer, parece admissível supor-se que Colombo e o rei Português (D João II)


D João II




Cristovâo Colombo


sabiam muito mais do que se julgou saberem. Esta duvida do que saberia um e outro, foi mistério que continuou indecifrável. Ou será que agora começa a levantar-se um pouco do véu ao mistério que foi a relação entre o Rei Português e Colombo, a vinda a Lisboa antes de aportar a Espanha, na 1ª viagem ,a visita particular ao Rei fora de Lisboa, e depois à Rainha, a Vila Franca?
Sabiam, assim, certamente:

a) Que ao sul da costa ocidental de África existia um cabo, que transposto dava acesso à rota para as Índias (Colombo estava presente[1] quando foi dada a noticia ao rei, de Bartolomeu Dias ter passado tal cabo, o «das Tormentas»)
b) Que havia um outro caminho para atingir as Índias por oeste, pois existiam (?) indícios da existência de um canal situado a 52-40 º S, que ligava o Atlântico a um outro Oceano, o qual «conduziria às Índias».
De facto a certeza de Magalhães quando mais tarde
Depois de estabelecer a rota pelo quinquagésimo segundo grau na direcção do Pólo Antárctico na festa das onze mil virgens (…) encontrou um estreito canal (…)[2]
parece vir confirmar que o juramento do capitão á sua tripulação
(...)de que havia um outro estreito que levava ao outro mar, afirmando conhecê-lo bem


Proviria de o ter visto assinalado numa carta marítima de El-rei de Portugal, recebido de um tal Martin da Boémia? ( como referido, que por sua vez teria recebido a informação de Toscanelli )





O estreito de Magalhães


E Magalhães, até sabia que depois de passado o estreito, “não valia a pena avançar para oeste pois teríamos avançado sem encontrar qualquer ilha”, provando ter, assim, um conhecimento seguro de que deveria rumar a norte.
Todas estas questões se vinham juntar a muitas outras (por exemplo, a questão do milho - que Pifagetta refere como miglio encontrado na viagem - e que aparece na Ásia. antes mesmo da viagem de Colombo), levantando a dúvida se outro qualquer povo não teria feito grandes viagens intercontinentais, anteriormente às levadas a cabo por portugueses e espanhóis(?!). Que povo teria um tal conjunto de conhecimentos para tarefa de tal envergadura (?), foi pergunta que perpassou por uns tantos que tiveram a noção de que algo não teria acontecido como nos quiseram fazer crer.


Só poderia ser um povo extraordinariamente desenvolvido em cultura marítima, possuidor de excelentes conhecimentos de arquitectura naval, e ainda, conhecedores profundos das técnicas de orientação pelos astros (cosmografia), e claro, já utilizadores de bússola e outros instrumentos necessários para cruzar os mares.

A pergunta que se colocava (e se colocou até há bem pouco) era a de saber se existiriam registo, mapas e vestígios dessas embarcações e desses viajantes, ou outros indícios que confirmassem, o que a ter acontecido seria o mais extraordinário feito do mundo antigo, as mais incríveis viagens da história da humanidade, feitas antecipadamente às que julgávamos terem partido da Península.
A serem encontradas provas, a História teria que ser refeita e recontada de outro modo bem diferente.
Certo é que os historiadores portugueses, catalães e italianos (durante a primeira metade de o século XX), sempre se mantiveram totalmente incrédulos, tratando de enaltecer os seus compatriotas assegurando que os conhecimentos para as mesmas apenas existiriam no Centro e Sul, da Europa. Mas quando outros historiadores, americanos, ingleses e outros, resolveram ler as coisas de outro modo, começando a equacionar hipóteses diversas das até então assumidas como definitivas, cedo se percebeu que há ainda muito para decifrar.




Aspectos da arquitectura naval - Idade Média


Surgiram factos que hoje se consideram já, verdadeiros. Mas muitos outros não passam de especulação, ainda por confirmar. Sem dúvida: é interessante e curioso conhecerem-se e acompanhar o seu desenrolar pois há muitos estudos, hoje em curso em afamados centros de investigação mundial ,bem como campanhas arqueológicas que procuram indícios probatórios. Por isso passemos uma vista de olhos sobre as hipóteses levantadas.


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[1] “ele (Dias) decreveu a viagem e fez o levantamento légua por légua numa carta marítima de modo a apresentá-la aos olhos do muito sereno reiu em pessoa.Eu tudo isto estive presente”
[2] Pigafetta in Magelan Voyage ,R.A.Skelton ,Folio Society ,1975 pp49

quinta-feira, 11 de junho de 2009

(Fasciculo 5

2-A carta DE TOSCANELLI


Nem sempre citada, a missiva do cosmógrafo florentino Paolo de Toscanelli (1397-1482)[1], enviada a Colombo[2], afirma entre outras coisas:

Registei o Vosso magnifico e sublime desejo de navegar até às regiões do oriente através do ocidentes (…) como se pode verificar pelo mapa que vos mando (…) Possuo informação mais segura (…),


Ora a referida carta é acompanhada por um mapa que mostrava (?!) a rota oeste através do Atlântico, via Antilia. Informação idêntica, foi transmitida por Toscanelli a Behaim (ou Martinho da Boémia), cartógrafo alemão que trabalhava para o rei Português, e que a fez chegar às mãos reais, admite-se, trazida por D. Pedro.

Como saberia Toscanelli, em 1457-1459, de tal rota?!De facto numa outra informação transmitida ao em 1474 para Portugal,enviada ao cónego de Lisboa ,Matinez Roriz,Toscanelli afirmava que a distãncia entre Lisboa e Quinsai ,na China,era 6.500 milhas,o que diminua em cerca de um terço a referida por Pierre D'Ailly no Imago Mundi,livro que Comlombo estudou e anotou com precioso cuidado.A correspondência de Toscanelli,considerado «o maior filósofo do seu tempo», era acompanhada por um mapa com as Antílias colocadas, algures no Atlântico, entre Lisboa e a China,pelo que no dizer do florentino,podendo estas servir para reabastecimento dos navios "os espaços de mar a serem atravessados não são grandes" .

Esta foi uma questão que nunca teve resposta perfeitamente clara.




Reconstrução do Mapa de Toscanelli


E Toscanelli ia mais longe, pois não só considerava "aquele país dever ser procurado pelos latinos ,não apenas pelas riquezas" ,mas por ser um país "de sábios ,filósofos, e peritos de astrologia".


Colombo convenceu-se das razões de Toscanelli.O rei de Portugal ,não!



2-A ilha de Thule (Thile)

...que Colombo afirma ter avistado, e de que em Fevereiro de 1477,sobre a mesma, escreve:
(…) Eu naveguei 470 (cem léguas) milhas para além de Thile, cuja parte sul fica na latitude de 73 graus norte, mas havia grandes marés de 26 braças”





Mapa genovês de 1457(Toscanelli ?)



Estas referências de Colombo à navegação por aquelas paragens (em viagem de iniciativa dos reis de Portugal e Dinamarca) provam que o norte da Groenlândia era navegável, à data, o que cientificamente hoje se sabe já ser possivel- o que corrobora a questão do mapa da Vinland [3] que novos conhecimentos confirmam.A razão evocada para a desconfiança que aquele mapa gerou-a existência de particulas de tinta que não eram conhecidas na Europa [4] medieval-, aquando do seu achamento ,acabou, agora que as mesmas podem ter outro tipo justificação, encontrar origem numa outra concepção de pioneirismo marítimo. Voltaremos ao assunto.


Verdade é que Colombo tinha razão quando afirmou ter navegado por aquelas paragens,então ainda não cobertas de gelo.Muitos historiógrafos não acreditaram.


A Groênlandia actualmente ligada por gelos eternos ao Pólo Norte

3-A descoberta do navegador na sua segunda viagem

Intrigante a afirmação de Colombo quando regista na sua segunda viagem:
(...) “numa casa (onde) encontraram o que parece ser um pote de ferro (...) o cadaste da popa de um barco”.
Os restos de um barco com cadaste de ferro, naquele tempo?
Nunca se percebeu o porquê nem a origem dos vestígios, mas era certo que a pormenorização habitual das descrições do Almirante habituara a lhe dar crédito. Ele compreendeu o quanto estranho era o achado e o seu significado: - antes dele já ali estivera outra gente.

4- A procura da Antília



Quando a 24 de Outubro de 1492,Colombo escreve
“ (para chegar a Antilia) eu tinha de seguir o rumo oeste-sul-oeste para lá chegar …e nas esferas que eu vi e nos desenhos dos mapa-múndis é nesta região…[5]
A que mapas e a que «esferas» se referia Colombo?..que lhe davam a certeza da existência da tal «Antilia» (de que muitos historiadores – quase todos -sempre se duvidaram da sua a existência real), mas de que Colombo não duvidava, porque afirmava




«ANTILLIA»


(....) " tinha visto a sua «posição» com os próprios olhos", num mapa,
Por isso sabendo
(....) “ que aquelas são as incontáveis ilhas que no mapa-mundi estão colocadas no fim do oriente”


Seria então verdadeira a tese de que os “portugueses teriam chegado a Antilia muito antes de Colombo sair de Sevilha”? E teria acontecido que Colombo teria navegado numa dessas viagens ainda ao serviço do rei português, na qual adquiriu o conhecimento da existência de tais ilhas?[6]
[1] Carta de P.Toscanelli a Colombo ,H .Vigaud in Toscanelli and Colombus, ed Sands 1902 pp 322 e 323
[2] Esta carta era cópia de uma outra enviada a D.Afonso V(via Martinez Roriz)
[3] Ibiden pppp64
[4] Conforme na altura demos conhecimento nas «Rotas dos Bacalhaus»
[5] The Journal of Columbus ,- anotado por Vigneras,1960 pp12,43 e 62
[6] Ver «Nas Rotas dos Bacalhaus »-Senos da Fonseca pp



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N.I-No finasl do Blog fornecer-se-à completa bibliografia

segunda-feira, 8 de junho de 2009

(Fasciculo 4º)


1- A Carta Náutica de 1424

O desaparecimento deste Mapa e as especulações daí geradas acerca do seu verdadeiro conteúdo, continuam hoje sendo um quebra-cabeças, pois muitas coisas se explicariam se ele pudesse ser confrontado. Foi o Prof. Armando Cortesão, depois de quatro anos de investiga­ção, que a revelou os seus estudos, num livro escrito em inglês, «The Nautical Chart of 1424», publicado pela Universidade do Coimbra em 1954.

Admite-se que uma cópia da referida carta seja o mapa executado em Veneza, e cujo autor teria sido Zuane Pizigano.[1] Representa o Atlântico Norte, com as costas da Irlanda, do sudoeste de Inglaterra, da França, de Maiorca e da África norte-ocidental, tendo os arquipélagos canário e madeirense ao largo. No centro do Mar Oceano estão representadas duas grandes ilhas rectangulares, Antilia e Satanazes, e duas mais pequenas, Saya e Ymana.






A CARTA NÁUTICA DE ZUANNE PIZIGANO

A Carta Náutica de 1424 que muitos autores consideram ter sido mandada executar com elementos de origem portuguesa [2] (os conhecimentos que lhe estiveram na base) foi muito importante para os planos de procurar incessantemente o Cabo, que dobrado, daria acesso ao Indico. Isto independente de a versão de Fra Mauro no seu planisfério insista em posicioná-lo num alongamento exagerado de África para oriente, distorcendo a realidade.




O Planisfério de Fra Mauro

A nós,nos parece, que o mapa de Pizigano teria sido importante para incitar o esclarecimento do que estaria para Ocidente para lá das anti-ilhas (antilias), e por isso potenciador de acções que esclarecessem as explorações do Atlântico. E deve ter mesmo sido isso que aconteceu. Datam de 1424 as tentativas portuguesas de ocupar as Canárias. Diogo Teive que descobriu o grupo ocidental dos Açores (1427), foi o mesmo que avistou a Terra-Nova e deu azo a uma navegação intensíssima para aquelas paragens na demanda do bacalhau. No dizer de J. Cortesão, Portugal tomava assim a consciência do espaço atlântico ,nas sua relações com o desconhecido.




Os Portugueses no Atlântico Norte


Existe pois uma interrogação :Fra Mauro, em cujo Mosteiro (tipo escola cartográfica) teria sido feita(?) a carta, teria recebido a incumbência da mesma para se basear nas informações (no esquiço) idas de Portugal ? :- ou teria colhidas as informações por outra via ou noutro lado?(adiante veremos essa hipótese).

Seria o rei português quem teria «indicado» num esboço feito em Lisboa, as ilhas das Antilias, Satanazes e Saya e outras,já conhecidas dos portugueses e ou até já visitadas ? Ou esta indicação teria outra proveniência tendo-lhe sido adaptados os nomes(esses indubitavelmente portugueses)?


Há ainda outra hipótese : a carta de Pizigano será uma cópia da que foi enviada para Lisboa,que embora executada em 1424, apenas teria sido trazida para Lisboa em 1428, por D. Pedro?

E nesse caso levanta-se a duvida se o conhecimento das ilhas não teria sido colhido por Fra Mauro, junto de um tal Nicolau(Nicolò) de Conti, comerciante(e aventureiro) veneziano, que partiu para a Ásia em 1415 numa inacreditável viagem marítima que adiante referiremos,e de onde teria trazido essas e outras informações ?




As Viagens de Conti

A assim ser, a importância dada ao livro de Marco Polo ,trazido pelo Infante, teria sido muito menor do que o geralmente admitido.

Voltaremos ao assunto.

[1] A carta de Pizigano foi descoberta há menos que 50 anos e de dpois foi vendida á Universidade de Minnesota.
[2] Armando Cortesão, assume-o claramente no seu estudo –The Nautical Chart of 1424.


















Nota imp :No final do Blog será dado indice Bibliográfico com indicação dos diversos autores das gravuras

















(cont)

sexta-feira, 5 de junho de 2009



(3º Fascículo)

O MAPA DA VINLAND
O Mapa da Vinland, encontrado em 1965 e que foi considerado uma falsificação porque os vestígios de tinta encontrados(TiO2) se diziam não existirem na Europa no período da sua execução ,tem hoje já uma garantia de veracidade. Este mapa mostra a possibilidade de a Groenlândia poder ser no séc XV navegável pelo Norte. E é hoje aceite que Colombo fez essa navegação circundando-a por esse lado .Até data recente duvidou-se do facto .Até que estudos científicos vieram provar que no séc.XV as temperaturas das águas permitiam a navegação que Colombo afirmou teria feito ,identificando até a Ilha de Thule.


,O Mapa da Vinland


O Início das Navegações portuguesas

Em princípio, o conhecimento do mundo tido no tempo em que D Henrique inicia o programa de expansão marítima delineado depois de tomar Ceuta, e perdê-la de novo ,o que o leva a lançar-se definitivamente na procura do Cabo das Tormentas, era apenas o referido na cartografia referida nos capitulos anteriores. O que diga-se era muito pouco.

Ou será que D.Henrique e os seus cosmógrafos saberiam muito mais do que aquilo que durante muitos anos admitimos eles saberem?
Importa, pois,deter-mo-nos um pouco a tentar responder a esta questão :- o que saberia D. Henrique do desenho do Mapa Mundi, que informações recolheu, qual a importância da missão europeia do seu Irmão D.Pedro e que novidades trouxe este de Veneza que teriam decisivamente influenciado a decisão portuguesa da rota por oriente, depois mantida por D João II e seu primo D. Manuel I, desprezando – ou (talvez) utilizando – as descobertas de Colombo?
Vejamos.
Sabendo o que se sabe hoje das «Sagas» nórdicas
[1], aprofundada a certeza das mesmas através das reconstituições e estudos arqueológicos indesmentíveis, arrumada esta questão -que levou tempo imenso a se assumir como facto incontornável o que vem dizer que o dossier das grandes navegações está, ainda em aberto -, logo outra se levantou, a qual era a de saber a proveniência dos conhecimentos de Colombo – que foram transmitidos a D. João II e aos seus cosmógrafos - sobre paragens que eram apenas referidas, até então, por notícias que correndo no norte da Europa, eram apenas e só confundidas com lendas. Seria certo, como levantámos a hipótese na «Rotas dos Bacalhaus», que D. Henrique teria indagado (e aprofundado) os indícios do avistamento da Terra-Nova pelo seu escudeiro Diogo de Teive[2] , e em função disso teria tomado a decisão(secreta) de impulsionar novas missões com o claro propósito de saber muito mais sobre a costa norte americana, do que durante muito tempo se









A viagem de Teive



admitiu? Porque teria sido que essas frequentes viagens, com prometimentos de concessão de benesses de grande dimensão aos capitães das mesmas em caso de «achamento», -viagens que sabemos foram continuadas até ao reinado de D. Manuel I, mas não sabemos exactamente quantas, à excepção das dos Corte-Reais-, não foram devidamente relevadas, não parecendo preocupar (muito) os historiógrafos das grandes descobertas, levando-os a não s deterem a falta de noticias que poderiam ser de capital importância para a decisão da escolha da outra rota possível para as Índias, a do oriente ? Que razões estiveram na obstinação de se dar a entender que só o caminho pelo Cabo fazia parte do programa de se chegar às Índias, quando era perfeitamente admissível (ou até evidente) que havia um continente a ocidente(já Ptolomeu o garantira), e que importaria explorar se esse não seria um caminho mais directo, já que as distorções cartográficas anteriormente referidas e depois referidas propositadamente o queriam fazer entender (ainda com mais evidência)?
Abordemos algumas questões que hoje ainda esperam resposta:





A carta Pisana

(o primeiro portulano conhecido desenhado algures entre 1275 e 1291)
[1] «Rotas dos Bacalhaus» pp
[2] Sobre a viagem de Teive ver »rotas dos Bacalhaus » pp 17
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Aviso ao leitor: Para os menos acostumados os mapas podem ser ampliados (apreciando a sua beleza e raridade) bastando clicar sobre os mesmos ,expandindo-os.
No fasc. 1 existem gralhas .Técnicamente era dificil eliminá-las.E porque perfeitamente identificadas se tornava um exercício que tomaria muito tempo, o que me falta .optei por deixá-las ficar ,até ter tempo para tal exercício.
JF
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(2ºFasciculo)

Os Mapas T-O

Isidoro, Arcebispo de Sevilha no sétimo século, elaborou uma série de mapas que constituem uma síntese entre os mapas romanas e os desenvolvidos pelas escolas cristãs ,representando o mundo com a Ásia em cima ,a Norte ,sendo a parte inferior, dois continentes divididos pelo meridiano do Nilo :um, o continente Europeu .O outro, a África. De facto os homens medievais, europeus tinham apenas uma vaga ideia do mundo asiático e por isso não o sabiam representar.






MAPA T-O por Jean Mansel(1368-1422)




O MAPA Anglo- Saxon de Cotten

Ainda pela sua importância é de referir o Mapa (anónimo) Anglo Saxon ,recuperado por Sir Cotten, em 1571,pelo que também é conhecido por este nome, sendo o mais antigo mapa a usar o conceito da representação dos três continentes embora aqui de um modo mais evoluído. O mapa representando o Leste [1]na parte superior (no nosso representamo-lo correctamente) não divide os continente, com Jerusalém no centro. Nele, o Nilo é representado a vermelho, embora as montanhas (verdes) no cimo, e o mar Vermelho simbolizem o êxodo israelita. A ilha mais a leste (no nosso mapa) é Ceilão





Mapa Anglo Saxon(de Cotten)


O Mapa de Al-Idrisis

Também de grande importância foram os trabalhos de Al Idrisis(1100-1065),geógrafo árabe que visitou a Península e que a convite do Rei da Sicília visitou Palermo.
No seu mapa orientado para o Norte, que mostra influências das duas escolas,a árabe e a cristã, Idrisis indica por linhas paralelas horizontais ,as linhas de clima. No seu mapa a África é circum-navegável. Admite-se que tenha sido neste mapa que Fra Mauro de quem falaremos adiante, se teria inspirado na curvatura que deu ao continente africano, prolongando-o para oriente ,excessivamente .




Mapa Mundi de ASh-Sharif al-Idrisis
O Mapa Catalão

Outro notável trabalho precursor da cartografia medieval, foi o produzido em 1375 na Escola de Maiorca por Cresques Abraham .Este mapa- denominado Atlas Catalão- tem a curiosidade de cobrir o Mediterrâneo, o Mar Negro e o Atlântico ,as costa do Norte de África ,Espanha ,França e Inglaterra..Cresques reflecte muito das noticias das viagens de Marco Polo, e de muitos outros exploradores,registando todo um manancial de informação que ia continuamente engrossando o cabedal de conhecimentos trazidos pelo navegantes descobridores..É um extenso mapa formado por oito painéis ,e de que se afirma ‘’que nenhum mapa produzido antes do Séc.XVIdá uma compreensão tão perfeita como o Atlas Catalão’’.No ultimo painel representando o oriente vê-se representava ,também ,a Taprobana.
Os primeiros 2 retábulos dos sete que com põem o Atlas

Notas

[1] Os árabes representavam o mapa colocando o sul no alto;os cristão colocavam o leste no alto.
(cont)