segunda-feira, 8 de junho de 2009

(Fasciculo 4º)


1- A Carta Náutica de 1424

O desaparecimento deste Mapa e as especulações daí geradas acerca do seu verdadeiro conteúdo, continuam hoje sendo um quebra-cabeças, pois muitas coisas se explicariam se ele pudesse ser confrontado. Foi o Prof. Armando Cortesão, depois de quatro anos de investiga­ção, que a revelou os seus estudos, num livro escrito em inglês, «The Nautical Chart of 1424», publicado pela Universidade do Coimbra em 1954.

Admite-se que uma cópia da referida carta seja o mapa executado em Veneza, e cujo autor teria sido Zuane Pizigano.[1] Representa o Atlântico Norte, com as costas da Irlanda, do sudoeste de Inglaterra, da França, de Maiorca e da África norte-ocidental, tendo os arquipélagos canário e madeirense ao largo. No centro do Mar Oceano estão representadas duas grandes ilhas rectangulares, Antilia e Satanazes, e duas mais pequenas, Saya e Ymana.






A CARTA NÁUTICA DE ZUANNE PIZIGANO

A Carta Náutica de 1424 que muitos autores consideram ter sido mandada executar com elementos de origem portuguesa [2] (os conhecimentos que lhe estiveram na base) foi muito importante para os planos de procurar incessantemente o Cabo, que dobrado, daria acesso ao Indico. Isto independente de a versão de Fra Mauro no seu planisfério insista em posicioná-lo num alongamento exagerado de África para oriente, distorcendo a realidade.




O Planisfério de Fra Mauro

A nós,nos parece, que o mapa de Pizigano teria sido importante para incitar o esclarecimento do que estaria para Ocidente para lá das anti-ilhas (antilias), e por isso potenciador de acções que esclarecessem as explorações do Atlântico. E deve ter mesmo sido isso que aconteceu. Datam de 1424 as tentativas portuguesas de ocupar as Canárias. Diogo Teive que descobriu o grupo ocidental dos Açores (1427), foi o mesmo que avistou a Terra-Nova e deu azo a uma navegação intensíssima para aquelas paragens na demanda do bacalhau. No dizer de J. Cortesão, Portugal tomava assim a consciência do espaço atlântico ,nas sua relações com o desconhecido.




Os Portugueses no Atlântico Norte


Existe pois uma interrogação :Fra Mauro, em cujo Mosteiro (tipo escola cartográfica) teria sido feita(?) a carta, teria recebido a incumbência da mesma para se basear nas informações (no esquiço) idas de Portugal ? :- ou teria colhidas as informações por outra via ou noutro lado?(adiante veremos essa hipótese).

Seria o rei português quem teria «indicado» num esboço feito em Lisboa, as ilhas das Antilias, Satanazes e Saya e outras,já conhecidas dos portugueses e ou até já visitadas ? Ou esta indicação teria outra proveniência tendo-lhe sido adaptados os nomes(esses indubitavelmente portugueses)?


Há ainda outra hipótese : a carta de Pizigano será uma cópia da que foi enviada para Lisboa,que embora executada em 1424, apenas teria sido trazida para Lisboa em 1428, por D. Pedro?

E nesse caso levanta-se a duvida se o conhecimento das ilhas não teria sido colhido por Fra Mauro, junto de um tal Nicolau(Nicolò) de Conti, comerciante(e aventureiro) veneziano, que partiu para a Ásia em 1415 numa inacreditável viagem marítima que adiante referiremos,e de onde teria trazido essas e outras informações ?




As Viagens de Conti

A assim ser, a importância dada ao livro de Marco Polo ,trazido pelo Infante, teria sido muito menor do que o geralmente admitido.

Voltaremos ao assunto.

[1] A carta de Pizigano foi descoberta há menos que 50 anos e de dpois foi vendida á Universidade de Minnesota.
[2] Armando Cortesão, assume-o claramente no seu estudo –The Nautical Chart of 1424.


















Nota imp :No final do Blog será dado indice Bibliográfico com indicação dos diversos autores das gravuras

















(cont)

2 comentários:

  1. Parabéns por mais um blogue documental importante

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  2. Meu caro Eng. Fonseca

    Este seu blogue oferece-nos mais um tema carregado de oportunidade. Claro que o vou seguir. No meu blogue já tenho a respectiva lembrança...

    Cumprimentos

    Fernando Martins

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