sexta-feira, 26 de junho de 2009


(Fascículo 8)



Da Conti descreveu os barcos da armada do Tesouro, como embarcações com cerca de 2000 ton, com cinco velas e muitos mastros (…) tendo três camadas de madeirame no casco, e por isso resistentes a qualquer tempestade (…) e ainda compartimentos separados (anteparas estanques).



Barcos da Armada do Tesouro.

Admite-se, pois, agora, que o homem de Catay descrito ao Papa Eugénio VI (1431 -1477), por Toscanelli, e referenciado na carta deste a Colombo, seria este Da Conti.Que entretanto voltaria à China por encomenda (isto é ao serviço) do referido Papa.
E até hoje se especula que D.Pedro pretendendo antes de regressar a Portugal ouvir o próprio Da Nicola, o mandou buscar ao Cairo propositadamente.
Assim (segundo esta tese) os mapas teriam sido recolhidos por Mauro, de Da Conti, e depois enviados ao rei Português, via D. Pedro.
Se tal for provado, este parece ser, afinal, o grande segredo que Portugal escondeu das restantes potências estrangeiras.


Aqui coloca-se outra grande interrogação. Este mapa ciosamente guardado teria sido visto (ou copiado), mesmo que o copista soubesse correr o risco de pena de morte? Haveria alguém disposto a correr esse risco, alguém especialmente interessado nele? Esse alguém só poderia ter sido Bartolomeu Colombo, irmão do almirante, cartógrafo de méritos reconhecidos, em Lisboa, que pelo exercício do mister ,ao mapa tenha tido acesso, depositando-o, depois, nas mãos de seu irmão, Cristóvão Colombo(?!)

Certo é que o mapa de 1428 se dizia perdido.Hoje pretende-se uma nova interptretação. O grande Almirante turco, Piri Reis, têlo-à recolhido de um espanhol, tripulante de Colombo e tê-lo-ia integrado em um dos seus célebres trabalhos cartográficos. Ao que se admite esse mapa mostra toda a costa sul do continente americano, incluindo o estreito que se viria a chamar de Magalhães, e encontra-se ,hoje depositado no Museu Serai, em Istambul.




Mapa Piri Reis

O aparecimento deste mapa que tão minuciosamente descreve toda a costa sul do continente americano, levanta a questão de saber-se quando teriam sido recolhidas as informações nele contidas.Em que viagem e de quem? Se Colombo tinha dele cópia, teria de ser anterior a 1492. Seria de facto parte do célebre mapa (carta náutica)de 1428,descrito ao mundo por Armando Cortesão?
Se o fosse (como hoje alguns o admitem) então será bem certo que não teriam sido os Europeus quem primeiramente teriam pisado o continente americano. E,mais;- Bartolomeu Dias (e muito particularmente, D João II, saberiam da existência do Cabo. E ainda:- Fernão Magalhães, saberia, antecipadamente do estreito que tomou o seu nome, pois, a ser provada a datação do mapa que depois foi transcrito por Piri Reis, a passagem já era conhecida .

O relato de Gabriel Pigafeta ,hoje começa a ser olhado e interpretado de modo bem diferente.
A historiografia dos Descobrimentos em Portugal foi pobre,naturalmente com honrosas excepções. Hoje parece n ão restar mais do que acompanhar as novas descobertas, que utilizam meios e processos tecológicos só ao alcance de alguns ,poucos ,países.

Voltamos a ter em cima da mesa uma questão nacionalista, fechando os olhos a realidades que explicam o que nunca conseguimos explicar?
A confirmar-se, estas novas teorias obrigariam ,inevitavelmente a repensar, de novo, a história da grande aventura marítima portuguesa, que em todas as circunstâncias não há que diminuir, mas sim exaltar. O que se sabia, ou não, era tão pouco e tão incerto, que não têm grande significado ,estas novas achegas.
SF
(cont.)

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