quinta-feira, 30 de julho de 2009

(Fascículo 14)






Os Navios Vickings

Eram excelentes, as qualidades náuticas das embarcações Vickings: cascos trincados ,muito longos relativamente à boca, dotados de quilha, o que lhes proporcionava uma manutenção do rumo depois de regulada a vela quadrada, com que apesar disso os Drakars e os Knarrs -assim se designavam os principais tipos de embarcações nórdicas -conseguiam bolinar(?) ,em ângulos não muito apertados.

KNARR




Knarr ( recriado) bolinando

Os navios eram concebidos para o comércio costeiro, e por isso eram abertos(sem convés) e amarando na praia, á noite, onde estabeleciam acampamento. Tinham calado baixo.Eram esguios, com óptimas saídas de água devido ás suas linhas onde a popa tinha uma forma recurvada como a proa ,permitindo-lhes navegar nos dois sentidos em locais apertados(rios,enseadas). Utilizavam na construção o carvalho, mas também pinho e a lima.

KNARR (reconstituição)





KNARR com vento da popa

Quando necessitaram de atravessar oceanos, os nórdicos criaram barcos de bordo mais alto, já fechados com convés e porão, onde criaram espaços apropriados para fazer fogo, e assim se poderem alimentar. Estas embarcações podiam aplicar remos para sua deslocação .
A metodologia de construção diferiu das embarcações construídas no mediterrâneo: os cascos eram alinhados primeiro e, só posteriormente, lhes era encostada a ossatura interior(cavernas). O casco trincado era contudo muito resistente, e a utilização de pregaria de cobre aumentava notoriamente a solidez .
[1]



Reconstituição de um KNARR

[1] Na Anse aux Meadows Terra-Nova) foram encontrados vestígios de um estaleiro ,e recolhidas amostras de pregaria que foram identificadas como sendo da viagem de LEIF à Vinland.

sábado, 25 de julho de 2009

(Fascículo 13)

Os Vickings

Quando os lavradores e navegantes Escandinavos chegaram às ilhas Féroe, espantaram-se com o facto de já lá encontrarem monges irlandeses.A Irlanda tinha sido convertida no Séc V (dC),tendo várias comunidades de monges construído igrejas e abrigos nas escarpas ermas daquele país ,junto do mar,onde procuravam sustento. Um desses monges,no SécVIII, depois da visita dos escandinavos escreveu um texto onde dá conta de «um santo homem ,que num barquito se meteu mar dentro, tendo chegado a uma dessas ilhas » A primeira em que desembarcaram,para seu espanto, movia-se.Intrigados,verificaram que tinham desembarcado numa baleia. Assim nasceu a lenda de S.Brandão ,o oráculo que passou a ser, o protector dos Navegantes.


S .Brandão e a Baleia

Certo é que hoje sabemos que a partir de 763 dC, uma nova identidade de colonos,mais sedentários (lavradores em procura de terrenos para os seus gados )desembarcaram junto do leito do Sena (Normandia) e pelo litoral oeste da Inglaterra e Irlanda. Havia outros Vickings procurando outras paragens. Em 860,um Drakar (embarcação vicking de alto mar)regressou á Noruega com a notícia da descoberta

Viagens Vickings no Atlântico Norte

de novas terras a oito dias de viagem.Logo outras expedições largaram, comandadas por Floki Vildgerdason ,que de imediato descobriu a Islândia (Terra dos Gelos).E a partir de 870 iniciar-se-ia a colonização ao longo das costas verdejantes daquela ilha.



Vickings na Groenlândia

Depois as Sagas (relatos de tradições orais,muito fortes, a que apenas se deu crédito recentemente depois de investigações arqueológicas que confirmaram a presença daquelas gentes pela Groenlândia) relatam toda esta história de navegações no norte Atlântico,onde surge a figura incontornável de Eric «O Vermelho[1].Seu filho Leif Ericsonum esplêndido homem do mar » fez então várias viagens comerciais entre a Groenlândia, Escócia e Noruega. E adquirindo um KNARR, sai da Groenlândia,lançando-se para sudoeste à procura de novas terras. Atinge assim as Terras do Lavrador e estabelece-se na Terra Nova (na Hanse aux Meadows). A toda aquela região dá o nome de Vinland (com esta designação liga-se a história de aí terem recolhido umas bagas que verificaram ser uvas de vinho(?) com que carregaram os seus navios). Hoje vários livros estudam e revelam as primeiras Sagas conhecidas :A Saga d’Eric o Vermelho,The Vinland Saga,The Book of the Icelanderse, o célebre código Islandês traduzido por Magnus Magnusson, a Saga de S.Olavo etc.E ainda o Flatteyjarbók, que escrito em 1380 descreve as primeiras viagens à Groenlândia ,e onde é registado o primeiro avistamento da costa americana pelo comerciante - navegadoro, Bjarn, e ainda, as aventuras de Eric «O Ruivo».
Os povos nórdicos navegavam tomando como referência a Polar a que chamavam Leidarstjerne, embora dadas as latitudes onde navegavam,e o facto de os dias serem muito longos,aquela pouco lhes servisse de referência (fora do inicio da Primavera ou Outono). Utilizavam um curioso instrumento o solskuggafol
[2] que consistia em um disco flutuando na água contida numa celha, no qual existiam gravados vários círculos concêntricos que correspondiam a vários locais .No centro do disco estava inserido um estilete regulável conforme a época do ano. E era pela sombra do estilete- que variava conforme se navegasse para norte ou para sul -,que se determinava o local que se pretendia atingir .A partir daí era navegar de modo a que a sombra da haste, ao meio dia ,estivesse sempre coincidente com o circulo que assinalava a latitude do local.


O «solskuggafol»

Contudo era o conhecimento visual (rochedos ,promontórios, correntes) que os ajudava a perceber onde estavam só possível por uma rara intuição náutica que transmitiam oralmente, de clã em clã.
Mas estes povos do Norte ,resolveram descer o Atlântico e penetrar no Mediterrâneo, atingindo o do sul de Itália onde se fixaram e estabeleceram colónias normandas.

Colónias Nórdicas no Mediterrâneo

[1] Eric o Vermelho –ver em «as rotas dos Bacalhaus»
[2] No sec XVII e XVIII os marinheiros das ilhas de Fèroe ainda utilizavam este instrumento.

(cont )

segunda-feira, 20 de julho de 2009

(fascículo 12)

As embarcações Árabes[1]

Os muçulmanos islamistas trouxeram ao ocidente todo o conhecimento relativo à ciência náutica, à astronomia, e até, à cartografia. Servindo de elo de transmissão entre as civilizações orientais e os europeus, e em particular os povos peninsulares, foi através dos contactos tidos aquando da ocupação islâmica de grande parte da Ibéria, e de boa parte de França, que foram legados ao mundo europeu muitos conhecimentos na área marítima ,entre outras. Em particular a construção de embarcações revestidas com uma espécie de betume(o lapes) que lhes conferia uma durabilidade enorme(quase um século comparado com os poucos dez anos da duração de uma embarcação portuguesa ao tempo)[2] .Usaram também para revestir as embarcações pelarias, de que se abasteciam em todo o Magreb.

A «Coca de Mataró»: uma embarcação genuinamente do mediterrâneo [3]

Os mercadores árabes chegaram a Alexandria, vindos do mar Vermelho. E quando se apossaram da Siria (636 dC) tomaram conhecimento com o saber náutico grego. Traduziram Ptolomeu, fundando em Bagdad a «Casa da Sabedoria»,onde traduziram os grandes filósofos e a ciência grega acumulada. Mas depressa desenvolveram estudos que lhes proporcionaram um conhecimento náutico que se viria a difundir pela África islâmica e pelo Índico, muito superior ao conhecimento náutico europeu, da época. Com a conquista do sul hispânico, os muçulmanos trouxeram, no séc. VIII e IX, o conhecimento sobre o astrolábio (planisférico), que se veio a difundir na Europa através dos centros monásticos a partir do séc. X , até ao séc. XII, onde se completou um conhecimento preciso sobre este precioso instrumento náutico. Que foi sendo desenvolvido e aperfeiçoado até se chegar ao astrolábio utilizado por Diogo de Azambuja, em 1481, e depois por Bartolomeu Dias (1487-1488).


O astrolábio Planisférico (1583)


Os muçulmanos fizeram como que a recolha de toda a tecnologia naval do passado mediterrânico, estabelecendo arsenais pelos mais diversos locais : Cádiz, Tiro ,Alexandria, Rawda, Cartagena, Tripoli etc. etc, onde foram construídos milhares de unidades dos mais diversos portes, e para os mais diversos fins.

Introduziram a vela latina triangular (no mediterrâneo), ou a bastarda, no golfo pérsico e Mar Vermelho, que permitiram o bolinar avançando-se contra vento.




Estudo da vela Latina por Miguel de Rhodes [4]

Também com eles nasceu a técnica de «primeiro o esqueleto e só depois o casco».De um achado de uma embarcação muçulmana encontrada perto da ilha de Rhodes, ressalta um navio com 75 metros(?) de comprimento, com uma boca de 5,2 metros. O casco era de pinho, mas a quilha era feita de ulmeiro, por isso muito mais resistente. Tinha dois mastros onde envergavam duas velas latinas.



O Baghlal

Com os seus pangaios, os árabes dominaram todo o comércio que trazia as especiarias do Índico para a Europa, até que os portugueses contornando o Cabo, e assim chegando à Índia , se apoderaram das riquezas naturais daquela região longínqua, trazendo-as nos seus navios em quantidades até ali inimagináveis para a Europa. Talvez se possa considerar este o primeiro passo histórico para a Globalização.
Até ali só os pangaios faziam já comércio regular entre a costa oriental de África e a Índia, e até com a China, pois eram já conhecidas as monções. As quais naquela zona do globo, no inverno soprando de nordeste, possibilitando a travessia da Índia para a África; no verão, a monção soprando de sudoeste levava com facilidade os pangaios da Arábia, às Índias. Assim, os árabes, eram os senhores do Indico, nele aprendendo a navegação pela altura dos astros. Conheciam a bússola(importada dos chineses) e sabiam a importância da cartografia de que faziam segredo.
Denotavam pouco interesse em descobrir novas terras ,talvez cientes que a importância era explorar(comercialmente) «o conhecido».

«Pangaio» árabe do Índico
Há imensos tipos de« pangaios» (identificam-se mais de 200 tipos!) com nomenclatura diferente( sendo um dos tipos mais conhecidos, o dhow, mas e também, o boom e o baghlal -40 m de comprimento e dois mastros-, o zaruq etc.),definindo o tipo da embarcação na tipologia geral.Os «pagaios» eram já construídos com madeira de teka. O costado era liso,sendo as pranchas que o formam ligadas, não com pregaria, mas com fibra de coco, calafetando o espaço entre pranchas. Só no final do séc XV, os árabes começariam a usar prego metálico.

O ZaruK

Estas embarcações, para lá de usarem em comum, a vela triangular, latina, apareceram a partir do século XIII (1240?) com o leme central de cadaste substituindo o leme lateral ao bordo, o que lhes permitiu uma notória superioridade na capacidade de manter o rumo.


O Dhow do Índico

Os navegadores árabes tinham já apreciáveis conhecimentos de astronomia,usando para medição da altura de um astro, um instrumento chamado KAMAL.


Navegador utilizando o KAMAL

Era uma espécie de tábua com um cordel no centro, sendo este dividido em marcações (nós)..Colocada de modo a que a parte inferior coincidisse com o horizonte, e a superior com o astro de que se pretendia medir «a altura», o numero de nós (dedos) (distância entre a tábua e o rosto do navegante) dava a latitude.
Usavam, ainda, um método muito expedito com a estrela Alfa do Cruzeiro do Sul..Que era esticarem o braço direito,mão na vertical, fazendo com que o dedo mínimo ficasse sobre o horizonte. A altura do astro era dado pelo dedo da mão aberta, que coincidisse(alinhasse) com ele.
De qualquer modo no séc X os árabes teriam já saber para trabalhar com o compasso magnético e até com o astrolábio, conhecimento vindo dos contactos com os chineses.


Usando o Astrolábio


[1] Entre outros refere-se aqui o livro do arq Quirino da Fonseca «A Caravela Portuguesa, que estuda intensamente as embarcações árabes.
[2] Segundo Quirino da Fonseca in «Caravela Portuguesa»
[3] Ou coga
[4] Miguel de Rhodes serviu nos barcos venezianos entre 1401e 1445;Elaborou um extraordinário compêndio de 440 páginas, onde expôs conceitos de matemática indispensáveis á navegação, técnica de construção naval, e regras de navegação. Os seus escritos estabelecem os rumos entre os principais portos dói mediterrâneo ,explica técnicas de abatimento e maneiras de levar a embarcação ao rumo pretendido, e inclui tabelas de maré, correntes e ventos,para se navegar em segurança.

(cont)

sábado, 18 de julho de 2009

(Fascículo 11)

As embarcações Gregas e Romanas.

Há entendimento geral que, primeiro os gregos e depois os romanos ,muito embora ainda privilegiassem a deslocação das embarcações por remos (bi, tri remes e mais…), iniciaram a utilização de velas ainda que muito pouco desenvolvidas , servindo apenas para deslocações com ventos por detrás.

Muito embora não descurassem as embarcações para as trocas comerciais ,mais ou menos copiadas das fenícias , uns e outros procuraram através da construção das Galeras obter poderio Naval ,protegendo o comércio marítimo, mas também em atitude de domínio e expansão territorial.
As Galeras de três fiadas de remos a cada bordo (tri-remes ou trieras), deslocariam/admite-se) cerca de 22 toneladas, medindo entre 35 a 36 metros de comprimento e tendo uns 5 metros de boca (coef. 7,2).


Galera Grega


Deslocavam-se sob o impulso de 170 remos dispostos em três ordens. Os remadores colocavam-se num espaço interior sentados em bancadas, dispostos em três níveis diferentes. Admite-se que sob a batuta que fixava o ritmo dos remadores, atingidas as 40 remadas por minuto (durante curto espaço de tempo) poderiam atingir a velocidade de 10 nós. A velocidade de cruzeiro era de 4 a 5 nós..

Modelo de Galera

O leme tinha duas portas do tipo espadela sendo a sua eficiência diminuta.
O casco alquebrava com facilidade (devido ao seu considerável comprimento),e o ataque(ao inimigo) era feito normalmente de proa, tentado perfurar a embarcação do adversário ,ao tempo em que lançavam frechadas, catapultando pedregulhos, e archotes incendiários ,na intenção de destruir o inimigo.


Para a cabotagem local, navegando de abrigo a abrigo ,em viagens normalmente só feitas de dia, os gregos construíram e desenvolveram um outro tipo de embarcação ligeira, como a da figura abaixo, cuja reprodução foi possível a partir de achados arqueológicos que vêm sendo encontrados.


Barco Comercial Grego

(Cont)

terça-feira, 14 de julho de 2009

(Fascículo 12)

Os Fenícios

Os PhoiniKes (era desse modo que os gregos designavam os «Fenícios»), gentes estabelecidas entre o Líbano e o mar Mediterrâneo, tiveram por necessidade da exiguidade do seu território, de se voltarem para o mar. Não sendo propriamente um povo, agregavam-se em cidades que apenas se uniam por razões de ameaças de guerra. Inicialmente explorando as madeiras de cedro – em que o território era rico - logo rapidamente se vieram dedicar à procura da púrpura e depois ao estanho, deslocando –se para isso até ao sul da Península – a Tartesso - fundando Gades (actual Cadiz) ,ou até a contornando para- admite-se - o ir buscar às ilhas britânicas. Assim o refere a viagem de Himilcão, supostamente feita em 525 a.C ,de que contudo não há absoluta certeza. E até se assume, que não já os Fenícios mas sim os Tartessos (usando outro tipo de embarcação de bordo alto) poderiam ter feito regularmente esta viagem no Atlântico.


Barco TARTESSO



E há lendas -ou razões?!- que levam admitir ser possível que descessem e contornassem África, como o próprio Heródoto «o pai da História» relata.
Plínio «O Velho» refere a viagem de Hanão para sul ao longo da costa de África, viagem que a ter acontecido , teria sido levada a cabo no séc.V aC. Há contudo as mais sérias duvidas se, como diz Plínio, teriam ou não atingido a Libia ,onde se relata poderiam ter plantado trigo, e esperado pela colheita ,para então partir de novo.

Barco Fenício[1]

Se para tal tipo de viagem seriam necessárias embarcações de alto bordo (o que não acontecia no mediterrâneo),estas só apareceram com o desenvolvimento do povo Tartesso que, sito no sul da Península, se iniciou em incursões para ocidente das colunas de Hércules. Nas embarcaqções por estes desenvolvidas a vela(única) era rectangular, fixada a vergas, superior e inferior, flexíveis, amurando à borda, a BBe EB.O leme tipo espadela ,funcionava a EB, a ré..No topo do mastro era já usada uma gávea para observação da navegação (especialmente quando navegando em águas pouco profundas) Nos rios ou na falta de ventos, os remos (em apenas uma linha) eram montados na bordas.O casco tinha quilha sendo as tábuas do costado encostadas, e fixadas por tacos de madeira a cavernas interiores(apenas colocadas depois do casco formado).



[1] Uma das polémicas do brasão de Ílhavo -entre outras - foi logo apontada referindo o erro do autor Rocha Madail evocar uma embarcação fenicia, apondo no mesmo, realmente, uma embarcação grega.
(cont)

domingo, 12 de julho de 2009

(Fascículo 11)
Viagem a «Punt»


Não se sabe ao certo quando é que o homem percebeu, e logo usou, o primeiro barco que lhe permitiu ultrapassar um pequeno curso de água, e que depois foi desenvolvendo, permitindo-lhe ir transaccionar mercancias que tinha em excesso, trocando-as por outras que lhe faltavam.
Admite-se que há dez, vinte mil anos, se teria começado a dar a aproximação dos nossos antepassados primitivos à borda da água, que de nómadas, pastores, caçadores, se começariam a sedentarizar junto dos grandes leitos dos rios, onde teriam iniciado o cultivo de aluviões férteis, terras frescas e macias, facilmente aráveis, e notavelmente produtivas. Os rios com a sua fauna terão despertado interesse por permitirem variação da dieta alimentar. Foi o caso das margens do Tigre e Eufrates, do Nilo, do Zambeze e do Habito (na China), entre outros.
Rapidamente o «Homem» começou a procurar produtos novos que não encontrava perto dos seus locais de pousio, sendo obrigado a procurá-los em outras paragens. E com estas deslocações se deu inicio ao comércio a distância.
Facto impulsionador da técnica de construção naval, de dimensão apreciável, foi a construção das embarcações guerreiras para protecção das armadas comerciais, ou tão só, para conquista de novos territórios. A necessidade aguçou o engenho e tem-se contudo por evidente que as primeiras embarcações capazes de afrontar distâncias ainda num mar de todo circundado por terra, teriam aparecido no Mediterrâneo, em tempos muito longínquos que muitos historiadores dão como possível ter acontecido, séculos antes da era de Cristo.

GALERA

Inicialmente o desconhecimento da escrita dificultou o relato dessas viagens. Mas em 1500aC temos já os primeiros relatos de viagens intencionalmente levadas a cabo para efeito de descobrimentos.

Galera

Um dos primeiros produtos que passou a ser transportado de barco (que veio assim substituir o camelo) foi a mirra, e aconteceu com a viagem feita no tempo do faraó egípcio, Sature, em 2.500 aC, a um local chamado «PUNT».



«PUNT»
Aí teriam carregado 80.000 medidas de mirra. Facto é que a localização exacta de PUNT não se sabe, e vem sendo objecto de diversas especulações. Conjectura-se a viagem, conforme reproduzida mapa acima, que terá sido feita em embarcações que não andariam longe do que é figura abaixo.[1]




Desembarque no Punt(Bjorn Landsrom)

(cont)














[1] Bjorn Landstrom –«A Caminho das índias»

sexta-feira, 10 de julho de 2009





(Fascículo 10)



AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS



PARTE II-AS EMBARCAÇÕES DAS GRANDES NAVEGAÇÕES



Não acredito em bruxas …mas lá que as hay…hay…

E foi assim ..
Há uns anos atrás – mais de dez!- ,aquando da feitura do livro «Nas Rotas dos Bacalhaus» ,tive de ir á Torre do Tombo para consultar o «Tratado dos Descobrimentos» de António Galvão. Tenho por hábito o de ter em casa, nas prateleiras, todos os livros citados nos meus livros – os que puder ou for possível. Aquele não poderia faltar, até porque muito do que lá encontrei excedia o que pretendia no momento. Uma rápida consulta ao mesmo, abriu-me novas curiosidades, iniciadas por referências que lhe foram feitas por meu Pai ,apontando-o como referencial histórico que parecia,propositadamente apagado da memória. Dei pois ordem a uns livreiros de velharias para que se aparecesse no mercado, mo enviassem à cobrança.
Ora agora embrenhado neste novo trabalho das «Grandes Navegações» fui de novo obrigado a citá-lo. A dimensão e os fins do Blog não justificavam desta vez nova consulta em Lisboa(ver Blog ).

António Galvão (séc.XVI)


Eis que ontem recebi, ao fim de tantos anos, o livro. Fiquei louco de alegria e, claro, devorei de imediato o seu apaixonante conteúdo.


Espantoso que a história e seus contadores tenham riscado do mapa este António Galvão .Hoje julgo que propositadamente.As suas afirmações eram incómodas para os escribas oficiais da corte que deveriam contar a história oficial, de maneira bem diferente. Galvão é uma figura apaixonante, um português dos bravos ,um navegador notável,grande entre os grandes, daquele tempo ,um historiador dos Descobrimentos, sem duvida singular. Foi Galvão quem na era de quinhentos produziu o primeiro «Tratado dos Descobrimentos» ,onde descreveu os diuerfos & defuriados caminhos ,por onde a pimenta & efpeceriaveyo das Indias ás noffas partes(…) com os nomes particulares das peffoas que os fizeram, diz-se na edição de 1563.

Hei-de repescar a figura, pois é de grandeza monumental a campanha humanitária em que se empenhou; de uma audácia espantosa na feitura de grandes e gloriosos, e heróicos feitos. E de uma grandeza estóica na resignação com que suportou o esquecimento a que o votaram ,deliberadamente. Se o Fernão Mendes Pinto com a sua «Peregrinação» chegava para um guião de uma extensa série de aventuras apaixonantes,com o actor sempre prestes a morrer e safando-se á James Bond ,no ultimo minuto,a vida de Galvão não lhe ficaria atrás ,tantos os feitos com a espada como na « arte e saber de bem navegar toda a Vela»
Enquanto o não faço , e como adenda ao fim da Iª parte do Blog das «Grandes Navecões», transcrevo – agora que tenho o Tratado à disposição - uma ou duas das mais intrigantes passagens do mesmo, completando as referências anteriormente feitas.


Citei já a passagem abaixo, ao de leve.Mas aqui vai a transcrição (sic) da sua afirmação sobre uma das mais controversas partes do Tratado, quando a dada altura refere:
(…)
No ano de 1428 diz q foy o Infante dom Pedro a Inglaterra,França ,Alenmanha á casa sanctas,& a outras de aquella bãda,tornou por Itália,esteve em Roma ,& Veneza ouxe de lá um mapa mundo q tinha todo o âmbito da terra, & o estreito de Magalhã esse chamava Cola do Dragão,o Cabo da Boa Esperança ,fronteira de África & qeste pedram se ajudara o Infante D Henrique…
(…) Francisco de Sousa Tavares me disse q no ano de .528º Infante D Fernando lhe mostrara ua mapa que se achara no cartório Dalcobaça que auia mais de cento&vinte anos(…)

Simplesmente espantoso, e intrigante, que vem confirmar toda a série de interrogações que nos anteriores Blogs fomos alinhando.
Intrigante, pois, o que era conhecido em Lisboa naquele tempo (sec XIV e XV):o Cabo da Boa Esperança ,fronteira final de África, e a ligação do Atlântico a um novo mar que não fora referenciado por Ptolomeu.
Ora então tudo o que alinhavei no Blog, tem ou não de merecer reflexão?

Nos próximos Blogs iremos,então, ver AS EMBARCAÇÕES QUE POSSIBILITARAM AS EPOPEIAS MARÍTIMAS.

Daremos conhecimento condensado, mas que julgamos suficiente, para que quem goste da matéria poder partir para novas descobertas

Senos Fonseca