sábado, 25 de julho de 2009

(Fascículo 13)

Os Vickings

Quando os lavradores e navegantes Escandinavos chegaram às ilhas Féroe, espantaram-se com o facto de já lá encontrarem monges irlandeses.A Irlanda tinha sido convertida no Séc V (dC),tendo várias comunidades de monges construído igrejas e abrigos nas escarpas ermas daquele país ,junto do mar,onde procuravam sustento. Um desses monges,no SécVIII, depois da visita dos escandinavos escreveu um texto onde dá conta de «um santo homem ,que num barquito se meteu mar dentro, tendo chegado a uma dessas ilhas » A primeira em que desembarcaram,para seu espanto, movia-se.Intrigados,verificaram que tinham desembarcado numa baleia. Assim nasceu a lenda de S.Brandão ,o oráculo que passou a ser, o protector dos Navegantes.


S .Brandão e a Baleia

Certo é que hoje sabemos que a partir de 763 dC, uma nova identidade de colonos,mais sedentários (lavradores em procura de terrenos para os seus gados )desembarcaram junto do leito do Sena (Normandia) e pelo litoral oeste da Inglaterra e Irlanda. Havia outros Vickings procurando outras paragens. Em 860,um Drakar (embarcação vicking de alto mar)regressou á Noruega com a notícia da descoberta

Viagens Vickings no Atlântico Norte

de novas terras a oito dias de viagem.Logo outras expedições largaram, comandadas por Floki Vildgerdason ,que de imediato descobriu a Islândia (Terra dos Gelos).E a partir de 870 iniciar-se-ia a colonização ao longo das costas verdejantes daquela ilha.



Vickings na Groenlândia

Depois as Sagas (relatos de tradições orais,muito fortes, a que apenas se deu crédito recentemente depois de investigações arqueológicas que confirmaram a presença daquelas gentes pela Groenlândia) relatam toda esta história de navegações no norte Atlântico,onde surge a figura incontornável de Eric «O Vermelho[1].Seu filho Leif Ericsonum esplêndido homem do mar » fez então várias viagens comerciais entre a Groenlândia, Escócia e Noruega. E adquirindo um KNARR, sai da Groenlândia,lançando-se para sudoeste à procura de novas terras. Atinge assim as Terras do Lavrador e estabelece-se na Terra Nova (na Hanse aux Meadows). A toda aquela região dá o nome de Vinland (com esta designação liga-se a história de aí terem recolhido umas bagas que verificaram ser uvas de vinho(?) com que carregaram os seus navios). Hoje vários livros estudam e revelam as primeiras Sagas conhecidas :A Saga d’Eric o Vermelho,The Vinland Saga,The Book of the Icelanderse, o célebre código Islandês traduzido por Magnus Magnusson, a Saga de S.Olavo etc.E ainda o Flatteyjarbók, que escrito em 1380 descreve as primeiras viagens à Groenlândia ,e onde é registado o primeiro avistamento da costa americana pelo comerciante - navegadoro, Bjarn, e ainda, as aventuras de Eric «O Ruivo».
Os povos nórdicos navegavam tomando como referência a Polar a que chamavam Leidarstjerne, embora dadas as latitudes onde navegavam,e o facto de os dias serem muito longos,aquela pouco lhes servisse de referência (fora do inicio da Primavera ou Outono). Utilizavam um curioso instrumento o solskuggafol
[2] que consistia em um disco flutuando na água contida numa celha, no qual existiam gravados vários círculos concêntricos que correspondiam a vários locais .No centro do disco estava inserido um estilete regulável conforme a época do ano. E era pela sombra do estilete- que variava conforme se navegasse para norte ou para sul -,que se determinava o local que se pretendia atingir .A partir daí era navegar de modo a que a sombra da haste, ao meio dia ,estivesse sempre coincidente com o circulo que assinalava a latitude do local.


O «solskuggafol»

Contudo era o conhecimento visual (rochedos ,promontórios, correntes) que os ajudava a perceber onde estavam só possível por uma rara intuição náutica que transmitiam oralmente, de clã em clã.
Mas estes povos do Norte ,resolveram descer o Atlântico e penetrar no Mediterrâneo, atingindo o do sul de Itália onde se fixaram e estabeleceram colónias normandas.

Colónias Nórdicas no Mediterrâneo

[1] Eric o Vermelho –ver em «as rotas dos Bacalhaus»
[2] No sec XVII e XVIII os marinheiros das ilhas de Fèroe ainda utilizavam este instrumento.

(cont )

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