sexta-feira, 10 de julho de 2009





(Fascículo 10)



AS GRANDES NAVEGAÇÕES MARÍTIMAS



PARTE II-AS EMBARCAÇÕES DAS GRANDES NAVEGAÇÕES



Não acredito em bruxas …mas lá que as hay…hay…

E foi assim ..
Há uns anos atrás – mais de dez!- ,aquando da feitura do livro «Nas Rotas dos Bacalhaus» ,tive de ir á Torre do Tombo para consultar o «Tratado dos Descobrimentos» de António Galvão. Tenho por hábito o de ter em casa, nas prateleiras, todos os livros citados nos meus livros – os que puder ou for possível. Aquele não poderia faltar, até porque muito do que lá encontrei excedia o que pretendia no momento. Uma rápida consulta ao mesmo, abriu-me novas curiosidades, iniciadas por referências que lhe foram feitas por meu Pai ,apontando-o como referencial histórico que parecia,propositadamente apagado da memória. Dei pois ordem a uns livreiros de velharias para que se aparecesse no mercado, mo enviassem à cobrança.
Ora agora embrenhado neste novo trabalho das «Grandes Navegações» fui de novo obrigado a citá-lo. A dimensão e os fins do Blog não justificavam desta vez nova consulta em Lisboa(ver Blog ).

António Galvão (séc.XVI)


Eis que ontem recebi, ao fim de tantos anos, o livro. Fiquei louco de alegria e, claro, devorei de imediato o seu apaixonante conteúdo.


Espantoso que a história e seus contadores tenham riscado do mapa este António Galvão .Hoje julgo que propositadamente.As suas afirmações eram incómodas para os escribas oficiais da corte que deveriam contar a história oficial, de maneira bem diferente. Galvão é uma figura apaixonante, um português dos bravos ,um navegador notável,grande entre os grandes, daquele tempo ,um historiador dos Descobrimentos, sem duvida singular. Foi Galvão quem na era de quinhentos produziu o primeiro «Tratado dos Descobrimentos» ,onde descreveu os diuerfos & defuriados caminhos ,por onde a pimenta & efpeceriaveyo das Indias ás noffas partes(…) com os nomes particulares das peffoas que os fizeram, diz-se na edição de 1563.

Hei-de repescar a figura, pois é de grandeza monumental a campanha humanitária em que se empenhou; de uma audácia espantosa na feitura de grandes e gloriosos, e heróicos feitos. E de uma grandeza estóica na resignação com que suportou o esquecimento a que o votaram ,deliberadamente. Se o Fernão Mendes Pinto com a sua «Peregrinação» chegava para um guião de uma extensa série de aventuras apaixonantes,com o actor sempre prestes a morrer e safando-se á James Bond ,no ultimo minuto,a vida de Galvão não lhe ficaria atrás ,tantos os feitos com a espada como na « arte e saber de bem navegar toda a Vela»
Enquanto o não faço , e como adenda ao fim da Iª parte do Blog das «Grandes Navecões», transcrevo – agora que tenho o Tratado à disposição - uma ou duas das mais intrigantes passagens do mesmo, completando as referências anteriormente feitas.


Citei já a passagem abaixo, ao de leve.Mas aqui vai a transcrição (sic) da sua afirmação sobre uma das mais controversas partes do Tratado, quando a dada altura refere:
(…)
No ano de 1428 diz q foy o Infante dom Pedro a Inglaterra,França ,Alenmanha á casa sanctas,& a outras de aquella bãda,tornou por Itália,esteve em Roma ,& Veneza ouxe de lá um mapa mundo q tinha todo o âmbito da terra, & o estreito de Magalhã esse chamava Cola do Dragão,o Cabo da Boa Esperança ,fronteira de África & qeste pedram se ajudara o Infante D Henrique…
(…) Francisco de Sousa Tavares me disse q no ano de .528º Infante D Fernando lhe mostrara ua mapa que se achara no cartório Dalcobaça que auia mais de cento&vinte anos(…)

Simplesmente espantoso, e intrigante, que vem confirmar toda a série de interrogações que nos anteriores Blogs fomos alinhando.
Intrigante, pois, o que era conhecido em Lisboa naquele tempo (sec XIV e XV):o Cabo da Boa Esperança ,fronteira final de África, e a ligação do Atlântico a um novo mar que não fora referenciado por Ptolomeu.
Ora então tudo o que alinhavei no Blog, tem ou não de merecer reflexão?

Nos próximos Blogs iremos,então, ver AS EMBARCAÇÕES QUE POSSIBILITARAM AS EPOPEIAS MARÍTIMAS.

Daremos conhecimento condensado, mas que julgamos suficiente, para que quem goste da matéria poder partir para novas descobertas

Senos Fonseca

Um comentário:

  1. boa tarde, tenho algumas perguntas para lhe fazer sobre o tratado dos descobrimentos. pode-me fornecer o seu mail ou posso faze.las por aqui. obrigada

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